ÁLVARES DE AZEVEDO

 

A SUA POESIA

   

1831 -  1852

ÁLVARES DE AZEVEDO - Além de poeta, foi dramaturgo.

 Em 1942 foram editadas suas Obras completas.

Nascimento: 12 de setembro de 1831, na casa do avô materno Severo Mota (e não na sala da biblioteca da Faculdade de Direito de São Paulo, como querem alguns), São Paulo, Brasil

Família: Filho de Manuel Álvares de Azevedo e Maria Luisa Mota Azevedo (ambos de famílias ilustres)

Falecimento: 25 de abril de 1852 (21 anos), às 17:00 hs, tuberculose, manifestada um ano antes, agravada por um tumor na fossa ilíaca, devido a uma queda de cavalo, acontecida um mês antes, Rio de Janeiro, Brasil

Como dramaturgo umas das suas obras famosas é " Macário" e contista "Noites na taberna". 

 

Dúvida, descrença, anticlericalismo, morbidez, amor e morte são temas constantes em toda a sua obra.


Digamos algumas palavras a respeito do escritor, 

e deixando de parte tudo quanto se tem escrito neste ponto, 

vamos emitir nossas próprias reflexões.

 

Não é um artigo de critica o que fazemos; não vamos tão longe, que cansaremos no caminho;

 o que escrevemos são puramente nossas impressões e não nos peçam mais do que isto.

 

Álvares de Azevedo pertence a essa escola romântica, 

em que avultam as figuras gigantescas de Shakspeare, e Byron e Lamartine.

 

Estudando-os a todos esses grandes mestres - seu estilo possui essa grandeza máscula de idéias,

 essa elevação de pensamentos, essa beleza de frase, que causam arrebatamento e prazer.

 

Lendo muito o Byron, demasiado talvez, vemos nele, em seus pensamentos,

 em suas imagens, esse delírio febricitante, esse arroubo de idéias, esses rasgos apaixonados, 

frenéticos e violentos, que caracterizam o autor de Don Juan.

 

Como é belo esse estilo fácil e natural que o caracteriza; e que grandeza nos pensamentos, 

que elevação na frase, que de inspirações brilhantes de sensibilidade e de imaginação ! 

 

Ora semelha o gemido dolorido, a explosão da dor nas profundidades do peito, e depois, 

prorrompe em uma gargalhada estridente, frenética, que coalha o sangue e eriça os cabelos.

 

O estilo de Álvares de Azevedo, na poesia além de original, é fácil, natural,

 ameno, desliza suave, sem afetação e sem esforço.

 

Não ha ai esse estudo forçado de frase, esse estilo imensamente castigado e tão castigado e tão limado, 

que á força de escovadelas perde aquele brilho, aquele colorido, aquele aveludado brilhante,

 aquele perfume balsâmico, enfim, como tantos exemplos e de bem acreditados escritores

 poderíamos apresentar.

 

Defeitos tem ele por certo, mas inteiramente provenientes da sofreguidão com que escrevia, 

do pouco tempo que teve para limar e polir o que lhe saíra da fronte escaldada 

- nessas noites de delírio e de vigílias; lia somente a natureza, somente o lampejo fulgurante do gênio; 

aquilo que a arte podia fazer, o que competia á reflexão - não lhe deu tempo a voz do arcanjo do extermínio.

 

Mas como belo é mesmo assim em seus defeitos !

 

Como agrada aquele desleixo, aquele abandono, que ás vezes se lhe nota no estilo! 

 

Como cala aquela suprema poesia, que transpira de suas palavras,

 quando cantou a mulher que o inspirava, ou as flores dos campos, o canto das aves, o vento do céu,

 o ciciar da brisa, o silencio da noite e a luz pálida e desmaiada da lua! 

 

Como sabia dizer tão bem as afeiçoes do peito, as emoções sentidas d'alma!

 

Muitos tem tentado semelhante tarefa, mas os resultados pálidos e frios das suas tentativas, 

tem-nos feito recuar desanimados. 

 

Aquele belo espécime, a que denominou de - spleen e charutos - 

tem atraído a atenção de todos e os esforços de muitos, mas até agora ninguém, que o saibamos, 

tem chegado á altura á que eIe subiu naquelas jocosas produções, em que a naturalidade ressalta. 

 

Falta-lhes a inspiração e a espontaneidade, a idéia a linguagem,

 o sentimento e o vigor, que possuía Álvares de Azevedo.

 

Na prosa, é seu estilo pomposo, colorido, cheio de rasgos e de lampejos, 

como traços cintilantes de luz no meio do espaço e algumas de suas produções são verdadeiros poemas 

- não metrificados.

 

Imaginação de fogo era ás vezes demasiado arrojado em suas idéias e em suas opiniões,

 para prova ai estão algumas de suas poesias.

 

Cremos que si o poeta vivesse e tentasse dar-lhes a luz da publicidade, certo que lhes modificaria,

 não o estilo, que é belo e grandioso, mas o arrojo do pensamento, o arrojo das idéias.

   

Temos terminado esta desalinhada observação; mas, como dissemos,

 não foi nosso fim fazer um artigo crítico-literário; escrevemos o que sentimos e nada mais.

 

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