|
Como
dramaturgo umas das suas obras famosas é "
Macário" e contista "Noites na taberna".
Dúvida,
descrença, anticlericalismo, morbidez, amor e
morte são temas constantes em toda a sua obra.
Digamos
algumas palavras a respeito do escritor,
e deixando de parte
tudo quanto se tem escrito neste ponto,
vamos emitir nossas próprias
reflexões.
Não
é um artigo de critica o que fazemos; não vamos tão longe,
que cansaremos no caminho;
o que escrevemos são puramente
nossas impressões e não nos peçam mais do que isto.
Álvares
de Azevedo
pertence a essa escola romântica,
em que avultam as
figuras gigantescas de
Shakspeare, e
Byron
e
Lamartine.
Estudando-os
a todos esses grandes mestres - seu estilo possui essa grandeza
máscula de idéias,
essa elevação de pensamentos, essa beleza
de frase, que causam arrebatamento e prazer.
Lendo
muito o
Byron, demasiado talvez, vemos nele, em seus
pensamentos,
em suas imagens, esse delírio febricitante, esse
arroubo de idéias, esses rasgos apaixonados,
frenéticos e violentos,
que caracterizam o autor de
Don Juan.
Como
é belo esse estilo fácil e natural que o caracteriza; e que grandeza
nos pensamentos,
que elevação na frase, que de inspirações
brilhantes de sensibilidade e de imaginação !
Ora
semelha o gemido dolorido, a explosão da dor nas profundidades
do peito, e depois,
prorrompe em uma gargalhada estridente, frenética,
que coalha o sangue e eriça os cabelos.
O
estilo de Álvares de
Azevedo, na poesia além de original, é fácil,
natural,
ameno, desliza suave, sem afetação e sem esforço.
Não
ha ai esse estudo forçado de frase, esse estilo imensamente
castigado e tão castigado e tão limado,
que á força de escovadelas
perde aquele brilho, aquele colorido, aquele aveludado
brilhante,
aquele perfume balsâmico, enfim, como
tantos exemplos e de bem acreditados escritores
poderíamos
apresentar.
Defeitos
tem ele por certo, mas inteiramente provenientes da sofreguidão
com que escrevia,
do pouco tempo que teve para limar e polir o
que lhe saíra da fronte escaldada
- nessas noites de delírio
e de vigílias; lia somente a natureza, somente o lampejo
fulgurante do gênio;
aquilo que a arte podia fazer, o que
competia á reflexão - não lhe deu tempo a voz do arcanjo do extermínio.
Mas
como belo é mesmo assim em seus defeitos !
Como agrada aquele desleixo,
aquele abandono, que ás vezes se lhe nota no estilo!
Como cala
aquela suprema poesia, que transpira de suas palavras,
quando
cantou a mulher que o inspirava, ou as flores dos campos, o
canto das aves, o vento do céu,
o ciciar da brisa, o silencio
da noite e a luz pálida e desmaiada da lua!
Como sabia dizer tão
bem as afeiçoes do peito, as emoções sentidas d'alma!
Muitos
tem tentado semelhante tarefa, mas os resultados pálidos e
frios das suas tentativas,
tem-nos feito recuar desanimados.
Aquele belo espécime, a que denominou de - spleen e charutos -
tem atraído a atenção de todos e os esforços de muitos, mas
até agora
ninguém, que o saibamos,
tem chegado á altura á que eIe subiu
naquelas jocosas produções, em que a naturalidade ressalta.
Falta-lhes a inspiração e a espontaneidade, a idéia a
linguagem,
o sentimento e o vigor, que possuía
Álvares de
Azevedo.
Na
prosa, é seu estilo pomposo, colorido, cheio de rasgos e de
lampejos,
como traços cintilantes de luz no meio do espaço e
algumas de suas produções são verdadeiros poemas
- não
metrificados.
Imaginação
de fogo era ás vezes demasiado arrojado em suas idéias e em
suas opiniões,
para prova ai estão algumas de suas poesias.
Cremos
que si o poeta vivesse e tentasse dar-lhes a luz da
publicidade, certo que lhes modificaria,
não o estilo, que é
belo e grandioso, mas o arrojo do pensamento, o arrojo das idéias.
Temos terminado esta desalinhada observação; mas, como
dissemos,
não foi nosso fim fazer um artigo crítico-literário;
escrevemos o que sentimos e nada mais.
|