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João
Alphonsus, seu filho e biógrafo, escreveu:
"Não houve acomodação
entre
o espírito de Alphonsus e o
ambiente espiritual da cidade de duzentos anos (Mariana),
mas
encontro perfeito de uma vida humana e de uma vida coletiva de
misticismo e sossego".
Escreveu
Emilio Moura, a respeito de sua poesia:"São
crepes, sombras funerárias de ciprestes,
véus
de confessandas, luares de desamparo, altares quaresmais
enfeitados de roxo".
Manuel
Bandeira confessou, certa vez: "Tenho rezado os versos
de Alphonsus de Guimaraens".
Palavras
de Péricles Eugênio da Silva Ramos: 'Sua poesia. dolorida e
sepulcral,
dá testemunho de um artista consciente, que se
impressionou, para a vida e para a morte,
com a perda de sua
prima e noiva, Constança.
Lê-lo
é ver uma Cruz coberta com os panos roxos da Semana Santa,
mas, também,
contemplar o céu aberto num luar de lírios e de
Arcanjos".
Constança,
que morreu tuberculosa aos 17 anos, era filha de Bernardo Guimarães,
romancista e poeta, tio-avô de Alplionsus.
Casou-se
em 1897, em Conceição do Serro, com D. Zenaide Alves de
Oliveira,
e
era chefe de numerosa família, tendo deixado 1 5 filhos.
Morreu pobremente.
Seu
valor e sua fama levaram Mário de Andrade, mais tarde o
"papa" do modernismo no Brasil,
a
visitá-lo, em 1919, na pacata Mariana, isolado e praticamente
esquecido dos historiadores de literatura,
inclusive
Ronald de Carvalho.
Em
carta de 10 de março de 1941, escrita a Alphonsus
de Guimaraens Filho, Mário confirmou a visita,
com uma
particularidade interessante: "Estive com seu Pai ali pela
manhã, mais de uma hora".
(
.... ) E foi uma hora de êxtase em que eu não disse
nem um bocadinho que era poeta,
Deus
me livre!" ( .... ) "Me
apresentei apenas como um fá e assim fiquei todo o tempo..."
Sobre
o assunto, em 15 de julho de 1919, Alphonsus,
escrevera ao filho João Alphonsus
(Belo Horizonte).
E
a admiração do poeta modernista pela família Guimaraens
era grande,
pelo
que se vê neste trecho de uma das cartas que dirigiu ao poeta Alphonsus
de Guimaraens Filho,
datada
de 8 de agosto de 1944: - "Fiquei comovidamente feliz,
com
o nascimento do Alphonsus de Guimaraens
Neto,
é uma maravilha o que o simples nome desse menino
desperta em mim
de ambiente grave de recordações e contatos só
bons de sentir.
Já
quero bem ele num bem-querer acumulado e delicioso de sentir.
Breve
o espiarei. Por enquanto ele que receba a bênção de Deus,
autorizada por três gerações de amizade".
José
Severiano de Resende foi seu maior amigo, desde os tempos de
estudante em São Paulo.
Alphonsus
visitou o Rio de Janeiro, em 1895, exclusivamente para conhecer
Cruz e Sousa,
segundo
Mário Matos e segundo o próprio "solitário de
Mariana", que o confirmou mais tarde (1904),
em
artigo publicado no jornal "Conceição do Serro".
Foi
um dos nossos poetas mais férteis, com sua safra de quase
quinhentas composições,
distribuídas por oito livros.
Encontraram-no
morto na madrugada de 15 de julho de 1921,
sendo sepultado
mesmo em Mariana.
O
ponto alto de toda a sua obra são os sonetos.
Seu
soneto mais conhecido e mais divulgado, "Hão
de chorar por ela os cinamomos",
encontra-se
entre "Os sonetos brasileiros mais
populares", neste site.
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