A SUA POESIA

ALPHONSUS DE GUIMARÃES 

1870-1921

 

Afonso Henriques da Costa Guimarâes nasceu em Ouro Preto, filho de português com brasileira, e morreu em Mariana, quando, ali, exercia a função de juiz municipal. 

 

Graduado em Ciências Jurídicas e Ciências Sociais, ocupara o cargo de promotor, duas vezes, em Conceição do Serro. Jornalista brilhante.

 

Depois de Cruz e Sousa, é Alphonsus de Guimaraens o mais apreciado dos nossos poetas simbolistas.

E mais: "pálido, silencioso e esquisito,

 como alguém que habitasse o outro lado da vida".

Henriqueta Lisboa disse que, "como Verlaine, Alphonsus prefere a melodia à sinfonia". 

 

 

João Alphonsus, seu filho e biógrafo, escreveu: "Não houve acomodação 

entre o espírito de Alphonsus e o ambiente espiritual da cidade de duzentos anos (Mariana),

 mas encontro perfeito de uma vida humana e de uma vida coletiva de misticismo e sossego".

 

Escreveu Emilio Moura, a respeito de sua poesia:"São crepes, sombras funerárias de ciprestes, 

véus de confessandas, luares de desamparo, altares quaresmais enfeitados de roxo".

 

Manuel Bandeira confessou, certa vez: "Tenho rezado os versos de Alphonsus de Guimaraens".

 

Palavras de Péricles Eugênio da Silva Ramos: 'Sua poesia. dolorida e sepulcral,

 dá testemunho de um artista consciente, que se impressionou, para a vida e para a morte, 

com a perda de sua prima e noiva, Constança.

 

 Lê-lo é ver uma Cruz coberta com os panos roxos da Semana Santa, mas, também,

 contemplar o céu aberto num luar de lírios e de Arcanjos". 

 

Constança, que morreu tuberculosa aos 17 anos, era filha de Bernardo Guimarães,

 romancista e poeta, tio-avô de Alplionsus.

 

Casou-se em 1897, em Conceição do Serro, com D. Zenaide Alves de Oliveira,

e era chefe de numerosa família, tendo deixado 1 5 filhos. Morreu pobremente.

 

  Seu valor e sua fama levaram Mário de Andrade, mais tarde o "papa" do modernismo no Brasil,

a visitá-lo, em 1919, na pacata Mariana, isolado e praticamente esquecido dos historiadores de literatura,

 inclusive Ronald de Carvalho.

 

Em carta de 10 de março de 1941, escrita a Alphonsus de Guimaraens Filho, Mário confirmou a visita,

 com uma particularidade interessante: "Estive com seu Pai ali pela manhã, mais de uma hora".

 ( .... ) E foi uma hora de êxtase em que eu não disse nem um bocadinho que era poeta,

 Deus me livre!" ( .... ) "Me apresentei apenas como um fá e assim fiquei todo o tempo..."

 

Sobre o assunto, em 15 de julho de 1919, Alphonsus, escrevera ao filho João Alphonsus (Belo Horizonte).

 

E a admiração do poeta modernista pela família Guimaraens era grande,

 pelo que se vê neste trecho de uma das cartas que dirigiu ao poeta Alphonsus de Guimaraens Filho,

datada de 8 de agosto de 1944: - "Fiquei comovidamente feliz,

 com o nascimento do Alphonsus de Guimaraens Neto,

 é uma maravilha o que o simples nome desse menino desperta em mim 

de ambiente grave de recordações e contatos só bons de sentir.

 Já quero bem ele num bem-querer acumulado e delicioso de sentir.

 

Breve o espiarei. Por enquanto ele que receba a bênção de Deus,

 autorizada por três gerações de amizade".

 

José Severiano de Resende foi seu maior amigo, desde os tempos de estudante em São Paulo.

Alphonsus visitou o Rio de Janeiro, em 1895, exclusivamente para conhecer Cruz e Sousa,

segundo Mário Matos e segundo o próprio "solitário de Mariana", que o confirmou mais tarde (1904),

em artigo publicado no jornal "Conceição do Serro".

 

Foi um dos nossos poetas mais férteis, com sua safra de quase quinhentas composições, 

distribuídas por oito livros.

 

Encontraram-no morto na madrugada de 15 de julho de 1921, 

sendo sepultado mesmo em Mariana.

 

O ponto alto de toda a sua obra são os sonetos. 

Seu soneto mais conhecido e mais divulgado, "Hão de chorar por ela os cinamomos", 

encontra-se entre "Os sonetos brasileiros mais populares", neste site.

 

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