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"Renúncia"
(Versão
de Hélio C. Teixeira)
Mesmo
quando o pesar, que fere tanto,
renascer
neste morto coração;
mesmo
quando, trazendo-me acalanto,
a
esperança me der nova ilusão;
mesmo
quando o fulgor do teu encanto,
procurando
acalmar minha razão,
com
ternura e pudor secar meu pranto,
nem
assim te direi minha emoção!
Mas,
no futuro, certamente, a vida,
que
hoje em teu sonho bela continua.
há
de deixar-te, enfim, desiludida!
Terás,
então, o amor que se escondeu:
a
minha mão há de suster a tua,
meu
coração há de escutar o teu! |
"
Chanson "
(Trad.
de Castro Alves)
Disse
a meu peito, a meu pobre peito:
-
Não te contentas co'uma só amante?
Pois
tu não vês que este mudar constante
gasta
em desejos o prazer do amor?
Ele
respondeu: - Não! não me contento;
não
me contento com uma só amante.
Pois
tu não vês que este mudar constante
empresta
aos gozos um melhor sabor?
Disse
a meu peito, a meu pobre peito:
-
Não te contentas desta dor errante?
Pois
tu não vês que este mudar constante
A
cada passo só nos traz a dor?
Ele
respondeu: - Não! Não me contento,
não
me contento desta dor errante...
Pois
tu não vês que este mudar constante
empresta
às mágoas um melhor sabor? |
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"
Tristeza "
(Trad.
de Guilherme de Almeida)
Eu
perdi minha vida, e o alento,
e
os amigos, e a intrepidez,
e
até mesmo aquela altivez
que
me fez crer no meu talento.
Vi
na Verdade, certa vez,
a
amiga do meu pensamento,
mas,
ao senti-la, num momento
o
seu encanto se desfez.
Entretanto,
ela é eterna, e aqueles
que
a desprezaram - pobres deles!
Ignoraram
tudo talvez.
Por
ela Deus se manifesta.
O
único bem que ainda me resta
e
ter chorado uma ou outra vez. |
"
Lembra-te "
(Trad.
de Magalhães de Azeredo)
Lembra-te, quando ao sol,
timidamente,
a
aurora abrir seu encantado paço;
e
quando, sob um véu de prata algente
cismando,
a noite devanear no espaço.
Quando
o gozo agitar teu seio de mulher,
quando
os sonhos da tarde a sombra te trouxer,
escutarás,
além, na mata umbrosa,
a
voz misteriosa:
Lembra-te!
Lembra-te, quando fomos condenados
'a
magoa eterna da separação,
e
a dor, o exílio, os anos fatigados,
me
houverem corroído o coração;
pensa
no extremo adeus, nesta triste existência!
Para
quem ama, o tempo é nada, e é nada a ausência.
Meu
pobre coração, até morrer,
sempre
te há de dizer:
Lembra-te!
Lembra-te
ainda quando paz sem termo
ele,
extinto, gozar na terra fria;
e
quando, em meu sepulcro, a flor do ermo
Desabrochar
suavemente um dia!
Não
mais tu me hás de ver; mas, onde quer que vás,
junto
de ti minha alma - irmã fiel - terás!
E,
alta noite, hás de ouvir a voz desconhecida,
murmurando
sentida:
Lembra-te! |