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MESTRES DA POESIA MUNDIAL


A POESIA DE ALFRED MUSSET


"Renúncia"

(Versão de Hélio C. Teixeira)

 

Mesmo quando o pesar, que fere tanto, 

renascer neste morto coração; 

mesmo quando, trazendo-me acalanto,

 a esperança me der nova ilusão;

 

mesmo quando o fulgor do teu encanto,

 procurando acalmar minha razão, 

com ternura e pudor secar meu pranto, 

nem assim te direi minha emoção!

 

Mas, no futuro, certamente, a vida, 

que hoje em teu sonho bela continua.

 há de deixar-te, enfim, desiludida!

 

Terás, então, o amor que se escondeu:

a minha mão há de suster a tua, 

meu coração há de escutar o teu!

" Chanson " 

(Trad. de Castro Alves)

 

Disse a meu peito, a meu pobre peito:

- Não te contentas co'uma só amante?

Pois tu não vês que este mudar constante

gasta em desejos o prazer do amor?

 

Ele respondeu: - Não! não me contento;

não me contento com uma só amante.

Pois tu não vês que este mudar constante

empresta aos gozos um melhor sabor?

 

Disse a meu peito, a meu pobre peito:

- Não te contentas desta dor errante?

Pois tu não vês que este mudar constante

A cada passo só nos traz a dor?

 

Ele respondeu: - Não! Não me contento,

não me contento desta dor errante...

Pois tu não vês que este mudar constante

empresta às mágoas um melhor sabor?

" Tristeza

(Trad. de Guilherme de Almeida)

 

Eu perdi minha vida, e o alento,

e os amigos, e a intrepidez,

e até mesmo aquela altivez

que me fez crer no meu talento.

 

Vi na Verdade, certa vez,

a amiga do meu pensamento,

mas, ao senti-la, num momento

o seu encanto se desfez.

 

Entretanto, ela é eterna, e aqueles

que a desprezaram - pobres deles!

Ignoraram tudo talvez.

 

Por ela Deus se manifesta.

O único bem que ainda me resta

e ter chorado uma ou outra vez.

" Lembra-te " 

(Trad. de Magalhães de Azeredo)

 

  Lembra-te, quando ao sol, timidamente,

a aurora abrir seu encantado paço;

e quando, sob um véu de prata algente

cismando, a noite devanear no espaço.

 Quando o gozo agitar teu seio de mulher,

quando os sonhos da tarde a sombra te trouxer,

escutarás, além, na mata umbrosa, 

a voz misteriosa:

Lembra-te!

 

  Lembra-te, quando fomos condenados

'a magoa eterna da separação,

 e a dor, o exílio, os anos fatigados,

me houverem corroído o coração;

 

pensa no extremo adeus, nesta triste existência!

 Para quem ama, o tempo é nada, e é nada a ausência.

Meu pobre coração, até morrer,

sempre te há de dizer:

Lembra-te!

 

Lembra-te ainda quando paz sem termo 

ele, extinto, gozar na terra fria;

e quando, em meu sepulcro, a flor do ermo

Desabrochar suavemente um dia!

Não mais tu me hás de ver; mas, onde quer que vás,

junto de ti minha alma - irmã fiel - terás!

E, alta noite, hás de ouvir a voz desconhecida,

murmurando sentida:

Lembra-te!

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