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Fez
os estudos primários em escola pública na vila de N. S. de
Nazaré de Saquarema.
Depois
cursou humanidades em Niterói.
Diplomou-se
em Farmácia, em 1884, e cursou a Faculdade de Medicina até o
terceiro ano,
onde
foi colega de Olavo Bilac, com
quem, desde logo,
estabeleceu as melhores relações pessoais e
literárias.
Bilac
seguiu para São Paulo, matriculando-se na Faculdade de
Direito,
e
Alberto foi exercer a profissão de farmacêutico.
Deu
o nome a várias farmácias alheias.
Uma
delas, e por muitos anos, era uma das filiais do
estabelecimento do velho Granado, industrial português.
Casou-se
em 1889, em Petrópolis, com a viúva Maria
da Glória Rebello Moreira,
de quem teve um filho, Artur
de Oliveira.
Com
dezesseis irmãos, sendo nove homens e sete moças, todos com
inclinações literárias,
destacou-se Alberto
de Oliveira como a mais completa personalidade artística.
Ficou
famosa a casa da Engenhoca, arrabalde de Niterói, onde
residia,
com
os filhos, o casal Oliveira, e que era freqüentada, na década
de 1880,
pelos
mais ilustres escritores brasileiros, entre os quais Olavo
Bilac, Raul Pompéia, Raimundo
Correia,
Aluísio e Artur
Azevedo, Afonso
Celso, Guimarães Passos, Luis
Delfino, Filinto de Almeida,
Rodrigo Octavio, Lúcio
de Mendonça, Pardal Mallet
e Valentim Magalhães.
Nessas
reuniões, só se conversava sobre arte e literatura.
Sucediam-se
os recitativos. Eram versos próprios dos presentes ou alheios.
Heredia, Leconte,
Coppée, France eram os
nomes tutelares,
quando o Parnasianismo francês estava no
auge.
Em
seu livro de estréia, em 1877, as Canções românticas,
Alberto
de Oliveira mostrava-se ainda preso aos cânones românticos.
Mas
sua posição de transição não escapou ao critico Machado
de Assis num famoso ensaio,
de
1879, em que assinala os sintomas da "nova geração".
Há
como que uma curiosidade que não se pode deixar de
citar: segundo a maioria da crítica,
nenhum deles era um
"parnasiano", no sentido histórico da palavra,
pois faziam restrições ao culto da Forma.
E,
aliás, eles próprios tinham a mesma opinião pessoal.
Proclamou-o Bilac, em 1905, "o mais brasileiro de todos os poetas do
Brasil".
Sucedendo
a Bilac,
Alberto de Oliveira foi eleito "príncipe dos
poetas brasileiros",
num concurso promovido pela revista
"FonFon".
Foi
Professor
de Português e Diretor-Geral da Instrução Pública do Estado
do Rio de Janeiro.
Fausto
Barreto e Carlos Laet, em sua- "Antologia Nacional ",
escreveram que Alberto de Oliveira
ocupou vários cargos, mas todos transitórios,
porque ele
"foi simplesmente poeta, poeta a vida inteira".
E
mais: "O poeta foi moço a vida toda, porque sua obra de
velhice não cede o passo à da mocidade,
em paixão e vigor,
em brilho e opulência nem na breve malícia, na grácil ironia
ou no donaire ingênito".
Dele
disse o acadêmico Aloisio de Castro: "Nunca, entre nós,
voz de poeta deu maior esplendor ao idioma".
Para
João Luso, "a inspiração entrava nele e os versos dele
saíam como,
em
relação a qualquer de nós, entra e sai a respiração.Para
ele a poesia formava um envolvimento vital.
Era
a atmosfera de sua alma".
Alberto escreveu o
primeiro soneto sentimental, de certo, aos 14 anos: "Nasce
em verde botão a linda rosa"
Grande
cantor da natureza, romântico admirável, patriarca da poesia
nacional.
Tinha
o apuro da linguagem, zelo pelo estilo; porém,
não
era o que se poderia chamar um parnasiano convicto e fiel, à
maneira dos franceses.
Seu
rimário era modesto.
Só
acidentalmente apresentava rimas rebuscadas,
pois
não se preocupava com a sua escolha.
Afonso
Celso achava em Alberto um encanto especial em dar ao
seu estilo
"um
leve perfume de cousas antigas".
O
anti-romantismo vinha da França, a partir de um plêiade de
poetas reunidos no Parnasse Contemporain,
Leconte
de Lisle, Banvill,
Gautier.
Nas
Meridionais (1884) está o seu momento mais alto no que
concerne à ortodoxia parnasiana.
Concretiza-se
o forte pendor pelo objetivismo e pelas cenas exteriores, o
amor da natureza, o culto da forma,
a pintura da paisagem, a
linguagem castiça e a versificação rica.
Essas
qualidades se acentuam nas obras posteriores.
Com
os Sonetos e poemas, os Versos e rimas e, sobretudo, com as
coletâneas das quatro séries de Poesias,
que
se sucederam nos anos de 1900, 1905, 1913 e 1928,
é que ele
patenteou todo o seu talento de poeta,a
sua arte, a sua perfeita mestria.
Foi
um dos maiores cultores do soneto em língua portuguesa.
Com
Raimundo Correia e Olavo
Bilac, constituiu a trindade parnasiana no Brasil.
O
movimento, inaugurado com os "Sonetos
e rimas" (1880) de Luís
Guimarães,
teria a sua fase criadora encerrada em 1893
com os "Broqueis" de Cruz
e Sousa,
que abriram o movimento simbolista.
Mas
a influência do Parnasianismo, sobretudo pelas figuras de Alberto
e Bilac,
se faria sentir muito além
do término como escola, estendendo-se até a irrupção do
Modernismo (1922).
Tendo
envelhecido tranqüilamente, Alberto de
Oliveira pôde assistir,
através
de uma longa existência, ao fim da sua escola poética.
Mas
o fez com a mesma grandeza, serenidade e fino senso estético
que foram
os
traços característicos da sua vida e da obra.
O
Soneto que abre a 4ª série das Poesias (1928), "Agora
é tarde para novo rumo! dar ao sequioso espírito;..."
sintetiza
bem a sua consciência de poeta e o elevado conceito em que
punha a sua arte.
Durante
toda a carreira literária, colaborou também em jornais
cariocas:
Gazetinha, A Semana, Diário do Rio de Janeiro,
Mequetrefe, Combate, Gazeta da Noite,
Tribuna de Petrópolis,
Revista Brasileira, Correio da Manhã, Revista do Brasil,
Revista de Portugal,
Revista de Língua Portuguesa.
Era
um apaixonado bibliógrafo, e chegou a possuir uma das
bibliotecas mais escolhidas
e
valiosas de clássicos brasileiros e portugueses, que doou à
Academia Brasileira de Letras.
Obras
poéticas: Canções românticas (1878);
Meridionais, com introdução de Machado de Assis (1884);
Sonetos e poemas (1885); Versos e rimas (1895); Poesias
completas, 1ª série (1900),
Poesias, 2ª série (1906);
Poesias, 2 vols. (1912); Poesias 3ª série (1913); Poesias 4ª
série (1928);
Poesias escolhidas (1933); Póstumas (1944);
Poesias, org. Geir Campos (1959);
Poesias Completas de Alberto
de Oliveira, org. Marcos Aurélio Melo Reis, 3 Vol.
Seu
soneto "A vingança da porta" está transcrito no
capitulo "Os sonetos brasileiros
mais populares", deste site.
E
as suas poesias nesta página no link SUA
POESIA.
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