Inácio José de Alvarenga Peixoto - Formado em Coimbra. Ouvidor no Rio das Mortes.
Casou-se, em São João dei Rei, com D. Bárbara Heliodora Guilhermina da Silveira Bueno (1759-1819), tendo
nascido dessa união Maria Efigênia,
cognominada "princesa do Brasil", pela sua beleza invulgar.
Em
1780, abandonou a magistratura, vivendo abastado, com os lucros da
mineração e da lavoura.
Foi
um dos chefes da conspiração chamada "Inconfidência
Mineira".
Para legenda da bandeira revolucionária, propôs o verso de Virgílio
"Libertas quae sera tamen" (cloga, 1, v. 27).
D.
Bárbara ficou famosa pelo seu ânimo varonil, amparando a fé
vacilante do marido.
Condenado à morte e com seus bens confiscados, Alvarenga Peixoto teve a pena comutada em degredo perpétuo.
Exilado
para Angola (África), lá faleceu, velho e esquecido.
É autor de cerca de vinte sonetos conhecidos, entre os quais "Estela e Nize",
que está transcrito em outro capítulo deste
site, "Os sonetos brasileiros mais
populares".
Relembramos, aqui, outro soneto do imaginoso poeta, por ele escrito em 1786, quando a filha, Maria Efigênia, completava sete anos.
Domingos Carvalho da Silva, em alguns trabalhos, inclusive num artigo publicado em "O Estado de São Paulo" de 12.8.1961, sob o título "História de um Soneto", atribui sua autoria a
Bárbara Heliodora, sua esposa, que era também, poetisa
talentosa: Amada filha, é já chegado o dia, em que a luz da razão, qual tocha acesa, vem
conduzir a simples natureza: - é hoje que o teu mundo principia. despreza
ofertas de uma vá beleza, e
sacrifica as honras e a riqueza às
santas leis do Filho de Maria. que amar a Deus, amar aos semelhantes, são
eternos preceitos da Verdade. Tudo o mais são idéias delirantes; procura ser feliz na Eternidade, que
o mundo são brevíssimos instantes. NOTA
- O 1º verso do 2º
quarteto: Pode, realmente, dar lugar a uma dúvida. Pelo menos à primeira vista, teria um sentido mais natural "a mãe, que te gerou... Isto atribuiria uma certa força à tese de Domingos Carvalho da Silva, sobre a autoria do soneto, embora Alvarenga Peixoto, mesmo sendo, como pensamos, o verdadeiro autor, pudesse escrever, também, "a mãe que te gerou", referindo-se, não a ele, lógico, mas à própria Bárbara Heliodora. Nesse caso, estaria fazendo alusão a uma terceira pessoa, "a mãe". De qualquer maneira, não nos cabe discutir se, no original escrito em 1786, estava "a mão" ou "a mãe". Na "Antologia Brasileira", do Prof. Eugênio Werneck (pág. 419); em "Os 150 mais célebres sonetos da língua portuguesa", de José Schiavo (pág. 34); e até na "Vida e Obra de Alvarenga Peixoto" (1960, pág. 39), está, mesmo, "mão", e não "mae". Registramos mais este
soneto de Alvarenga Peixoto: Ao mundo esconde o Sol seus resplendores, e a mão da Noite embrulha os horizontes; não cantam aves, não murmuram fontes, não
fala Pã na boca dos pastores. Atam as Ninfas, em lugar de flores, mortais ciprestes sobre as tristes frontes; erram, chorando, nos desertos montes, sem
arcos, sem aljavas, os Amores. Vênus, Palas e as filhas da Memória, deixando os grandes templos esquecidos, não
se lembram de altares nem de glória. ah,
Jônia, Jônia, dia de vitória sempre
o mais triste foi para os vencidos! NOTA
- Neste soneto - Julga o Prof. Rodrigues
Lapa - Alvarenga fala de sua
propria derrota por outro candidato ao amor de D. Joana Isabel,
presumivelmente José Anastácio da Cunha,
também poeta e lente de Matemática da Universidade de Coimbra, uma
das "mais pujantes genialidades" da cultura portuguesa.
Anastácio aparece por volta de 1774 na vida de D. Joana Isabel. (Péricles Eugênio da Silva Ramos) . |